Clique nas imagens dos artigos! Elas levam você para o site do artista que a criou e muitas
vezes tem assuntos relacionados ou outras imagens para expandir seus horizontes!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

EU ODEIO JAZZ!!!!

Talvez com alguma repercussão deste artigo de alguns anos, hoje temos vídeos de melhor qualidade desta artista. Mas ainda assim, acho válidas e atuais estas observações, que nos remetem a questionar a qualidade do trabalho artístico, tanto de quem faz, mas principalmente, por quem aprecia.

Editado em Novembro/2010.

Removeram o vídeo. Talvez tenham lido este artigo. (Risos.)
Olha só que barbaridade. Assistam ao vídeo da maravilhosa artista Hiromi Uehara antes de continuarem a leitura : http://www.hiromimusic.com (A música é "Desert on the Moon" e aos dois minutos ela detona literalmente num solo pra lá de bom.)
O vídeo parece focado nas sombras a maior parte do tempo. Sabe aqueles filmes tipo "papo cabeça depressivo suicida?". Só faltou ser em preto e branco, ou melhor: sombras e alguma traço mal definido.

Nota atualizada: Este foi um vídeo não está mais disponível no site da artista. No Youtube existem outros, felizmente, de boa qualidade e mostram o sentimento desta grande mulher expressado em música.


Comentário original:

Notaram que o vídeo prima antes de qualquer coisa pela música apenas, não é um vídeo, é apenas som de boa qualidade com fotos estáticas! Cadê a artista? Cadê a performance?

Quem fez o vídeo estavam mais preocupados com a qualidade sonora, quantos bits, a equalização, isto e aquilo... Daria perfeitamente para diminuir um pouquinho a qualidade do som e aumentar a qualidade das imagens com movimento.

A mulher toca pra caramba, faz uma mescla de estilos, inclusive muito do arsenal sonoro que ela apresenta tem raízes latinas e brasileiras.

Mas no vídeo infelizmente faltou a presença cênica da artista, por sinal uma bela mulher, que antes de tudo, demonstra enorme capacidade instrumental. E é bonita, uhmmmmm.... (estou disponível e a procura). Faltou mostrar a ambientação da banda, reduzida a estáticos flashes, faltou o ruído do público, faltaram a sempre incontornáveis desfocagens e tantas outras coisas. Ficou "clean" (limpinho) demais.

Quem fez aquele vídeo deve gostar muito de Jazz, mas não gosta de mulheres, nem de banda, nem de apresentações. Provavelmente toma um banho de meia hora antes do sexo, usa luvas durante e imediatamente depois toma outro banho de duas horas... Sabe aquelas pessoas que tem "nojinho" do corpo humano? É mais um dos que pensam somente com a orelha, assim como tem alguns homens pensam só com a cabeça de baixo, ou de que as mulheres que pensam só com a carteira (e vice versa). O problema todo do Jazz são as pessoas que gostam de Jazz e esquecem o resto.

Pode ter coisa mais chata que aqueles que sabem o nome de todos acordes dissonantes que tem neste ou naquele raríssimo disco de fulano ou ciclano? Personalidades distintas que talvez você tenha escutado no elevador ou nalguma sala de espera.

Pior ainda, se você fizer uma cara de desespero e revirar os olhos, eles prontamente vão pensar que você está usando uma técnica de PNL para estimular mais ainda o cérebro e com isto ficam prontamente estimulados para discorrer longamente sobre os períodos de ansiedade e depressão que Mr. Maravilha teve durante aquela fatídica e longa noite que passou solitário com seus oito mil e quinhentos tocos de cigarros de marcas variadas, tentando decidir se a dissonância seria numa quarta aumentada ou numa décima terceira com nona sobre si no baixo...

Interrompendo, só para quem não conhece, PNL é a sigla para Programação Neolinguística, uma técnica que usa elementos originais da hipnose, para que você conte segredos íntimos e depois te atordoar até que teu cérebro comece a concordar com todas as coisas que o terapeuta está falando. Isto inclui todo tipo de frases de efeito e até algumas daquelas mensagens expertas que certos publicitários estão usando para nos convencer que um automóvel pouco maior que uma caixa de laranjas é algo enorme como aquela coisa que algumas pessoas gostam. Na prática, é claro que precisa um tamanho razoável sim, senão nem encosta dos lados, mas se for grande demais todo mundo diz que machuca e fica com pouca movimentação. Além de ser possível causa do deslocamento do maxilar, o que seria impensável para uma daquelas maravilhosas divas do Jazz, que fazem a gente lembrar porque o Sol é lindo e que Deus teve mais do que sete dias para criar o mundo e fazer estas coisas tão belas.

Só que com este tempo adicional, os chatos tiveram mais tempo para analisar a posição de postura da Diva de Jazz e concentra-se em tirar 416 fotos para apresentar, numa solene exposição, em que apenas toca a música de fundo, com pouquíssimas fotos, geralmente meio escuras, invariavelmente pequenas, em que o detalhe da sombra é tão supervalorizada que às vezes precisa uma seta para saber aonde a Diva aparece na foto. Pior ainda, é quando precisamos ler o catálogo inteiro da exposição e mais alguns livros, e todo tipo de comentário dos críticos de arte (geralmente amantes de Jazz) que confundiram inadvertidamente a mostra com uma feira de padrões de roupas para pinguins em preto e branco, e terminam por avolumar ainda mais a confusão. Passada a ressaca cultural, conseguimos perceber que aquele close de um momento tão íntimo com a plateia foi na verdade uma resvalada do fotógrafo que captou a intensidade do movimento acústico visualizado através do copo de plástico que caiu na mesa...

Mas tudo bem, a qualidade sonora da música de fundo (CD) está ótima, é o que mais importa. Melhor ainda se for um obscuro vinil, daqueles de colecionador mesmo, sem nenhum arranhão, o que seria uma heresia para a concorrida exposição de fotos. Quer dizer, pelo menos no dia da abertura quando tem vinho de graça pra todo mundo.

Mas tudo bem, para que enxergar os músicos? A bela Hiromi tocando piano? Principalmente quando houver muitas pessoas com deficiência visual na plateia. O importante é ouvir e sentir né? Se as pessoas são interessantes, se o trabalho tem uma marcação cênica, ou bonitas artistas, isto deve ser secundário, afinal de contas, quem disse que quem gosta de Jazz também gosta de mulheres bonitas deve ter entrado no show errado. E quem disse que a beleza não é importante, nunca acordou no meio da noite com um dragão do lado, nem teve a sensação de um brusco um banho gelado ao abrirem-se os botões...


E também não tem nada a ver com a banalização do sexo. É só notar a quantidade de jazz que toca em elevadores e filmes pornôs norte-americanos. Pelo menos para música os gringos têm bom gosto, porque sinto muito, pornô americano é uma droga. A maioria das mulheres tem tanto silicone que dá a impressão que se baterem nalguma coisa vão sair picando feito bola de praia. E a performance? Ficam lá estáticas posando no pior estilo Playboy ou Penthouse enquanto um coitado se despedaça numa expressão facial que fica claro que deve estar chamando a imaginação no seu grau mais elevado para conseguir alguma inspiração.

Tem os mais artísticos pornôs franceses, aliás, lá eles chamam de soft-porno, com artistas mais famosas, mas que também gostam de tocar jazz de fundo. Isto dá mais credibilidade de que estão fazendo só pela arte. Algumas até são razoáveis, enquanto ficam naquela expressão facial distante, pensativas, combinando com os belíssimos arranjos dos melhores compositores de Jazz que já tivemos neste planeta.

Poucos movimentos, olhares vagos e distantes, Jazz de fundo. É, acho que isto combina...

Só para não deixar ninguém em desvantagem, os filmes alemães e italianos são mais animados e a turma parece que está se divertindo mesmo. Não raro tem muitas garrafas de bebida alcoólica pela cena, mas é para beber mesmo viu? Isto aqui é um artigo sério seus pervertidos! Muitos daqueles filmes são as filmagens de uma festa e, bem... Acho que o assunto agora é outro.

Claro que o pequeno vídeo da Hiromi é uma desculpa. Tem DVDs, programas de Jazz na TV, geralmente em horários em que a maioria das pessoas normais está precisando de alguma cafeína a mais no sangue para ficar acordados, ou justamente no mesmo horário que tem outras atividades que a maioria das pessoas daria prioridade.

E claro, os bares de Jazz. Boa parte toca música de primeiríssima, para um público sonolento, ao redor da bebida da moda, ou algum Whisky 12 anos, debatendo a singularidade da expressividade sistemática no pensamento do compositor Sr. Y, que inovou a utilização da nota semibreve no trombone de vara lá pelos anos 30, consagrando um estilo de tocar que foi fundamental no embasamento de algum novo estado americano, portanto está nas raízes da música atual. Todo este intenso debate é claro, acompanhado de pessoas interessantes e inteligentes como ele, e que usam o tempo todo de técnicas de PNL para buscar um melhor funcionamento de seus cérebros e...

Alguns até vão assistir meio extasiado aos músicos tocando, alguns fazendo malabarismos com o corpo e mãos sobre o instrumento, que deixariam minha fisioterapeuta ansiosa. Aproveitando o ensejo, estou fazendo RPG e se se alguém precisar de uma ótima profissional aqui em Porto Alegre posso indicá-la. Estarão em boas mãos profissionais. RPG é uma técnica de correção de problemas de coluna, postura, etc, muito supimpa.

Terminado o intervalo, assistir aos músicos de Jazz num desses recantos privilegiados é algo de outro mundo. Sim, de outro mundo. Nenhum fanaticão por Jazz acreditaria que é tão humano quanto qualquer outra pessoa e que a carne e osso são diferentes. Tem lugar por aí que só aceita convidados escolhidos tão criteriosamente, por indicação (e um caro ingresso), assegurando que o público será formado previamente por pessoas que vão gostar do que vai ser tocado, e também assegura que realmente só estará presente quem vai aplaudir. Ou seja, risco zero. Aqui na cidade tem uma artista famosa principalmente entre fechados, seletos e esnobes círculos de privilegiados, já de certa idade que tem um famoso show que feito assim por décadas. Convites surpresas, e praticamente às escondidas. Pode ter suas qualidades musicais, mas o risco de ter alguém na plateia que vai ouvir algo inédito, e que talvez possa democraticamente não gostar tanto, é zero. Só convidem que vai aplaudir viu? Não sei quem pede isto, se os protetores, todos amantes do Jazz, ou é tipo programa de TV em que ou aplaude ou rua!

Muito fácil tocar assim, isolando nossos ídolos do público. Colocando-os escondidos atrás de fotos com som de fundo. Deixe-nos escutá-los, mas como quem está com um amante, sentindo a pessoa, vendo, compartilhando um pouco mais da sua qualidade humana.

Ah claro tem os músicos de Jazz também! São de dois tipos: os que são músicos e o que são amantes do Jazz. Ai, ai. Fácil perceber qual o tipo está tocando. Os amantes do Jazz não vão perder nenhuma chance de mostrar que sabem aqueles acordes rebuscados com doze notas na mão esquerda, estão concentrados demais no que estão fazendo e, é comum que olhem a maior parte do tempo para os outros fazendo algum tipo de sinal de que eles naquele instante devem prestar imensa atenção ao mega-star para não perder nenhuma das 216 notas do próximo compasso, ou para trocar um sorrisinho cheio de cumplicidade indicando que conseguiram fazer de novo alguma coisa que treinaram longamente e intimidade de seus quartos, digo, seus estúdios e, de forma geral, parecem estar tocando na TV, pois desconhecem amplamente o público presente, ao qual obviamente compete ficar o mais extático possível, sem atrapalhar a performance, ou pelo menos, não pedir ao garçom para tocar "Parabéns a você" pelo colega aniversariante ou "aquela" música especial do filme que ganhou o prêmio nalgum sofisticado e elitizado Festival Europeu de Cinema Neo-Independente.

Mas claro, que cenas do tipo "Play it again Sam" são factíveis, e como qualquer um que toque na noite, ninguém está imune a sofrer abordagens deste tipo, o que não significa que vão atender alguma. Às vezes sim.
Sei que tem gente que só faz amor (ou trepa mesmo) no escuro. Mas ainda assim, tem sensações físicas, tato, cheiros, gostos, etc. Agora, pegam uma coisa tão sensorialmente ampla como o Jazz, apagam a luz, tiram a sensação física, tudo, e sobra o quê? Estímulo acústico sexual somente no fundo da orelha? Variante de cotonete lubrificado?

O pior do Jazz é o pessoal que gosta de Jazz. Costumo dizer que esta gente não gosta de Jazz, o que ele gosta é de "Jéééiiizzzz..." fazendo biquinho, levantando a ponta do mindinho direito num sinal intelectual secreto dos antigos sábios de alguma oculta universidade mais conhecida pelas suas participações na evocação da permeabilidade cultural do antagonismo estético sobre as labutações orgânicas.

É como goiaba. Quem não gosta de comer bicho, não come goiaba. Se tivesse Jazz sem tanto chato, seria como goiaba sem bicho. Sim, eu como algum sorvete de goiaba às vezes, mas os chatos, digo, os bichos não estão aparentes e posso desfrutar do meu Jazz, digo, meu sorvete de goiaba em paz.

Como toda música que tem raízes na cultura negra, acredito que este delicioso enlevo sonoro será um dia libertado, e poderemos apreciar Jazz sem tantos acessórios estéticos que servem apenas como amarras aos ouvintes. E sem bicho da goiaba, digo, os chatos.


.'.

* Gilberto Strapazon é escritor ocultista, tecladista, compositor, analista de sistemas e já fez PNL, mas é uma pessoal normal e preferiu formar-se em hipnose antiga, praticar magia cerimonial, cultuar deuses pagãos e trabalhar na Grande Arte, na linha dos Grimórios de Salomão.
** Músicos que quiserem enviar CDs e DVDs para apreciação é só entrar via e-mail para contato.
***Mulheres lindas e normais que sabem que sexo completo é normal podem enviar suas fotos e vídeos íntimos e para contato puramente amigável e intensa alegria mútua é claro.

.'. 

Leia também:
.'.

Sem comentários:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...